A sexta extinção em massa e o gene da loucura

a sexta extinçãoNa época de Aristóteles acreditava-se que a natureza era uma totalidade feita pelo equilíbrio de seus elementos, onde nenhum elo poderia ser rompido, e regida por uma essência divina que seria Deus. O conceito de extinção apenas surgiu na França revolucionária com a descoberta de fósseis de animais desaparecidos no nordeste dos Estados Unidos – o Mastodonte Americano ou Mammut americanum – que foram remetidos para o grande especialista em anatomia, Jean-Léopold-Nicolas-Frédéric Cuvier.

As dúvidas em relação ao que causou o desaparecimento desses animais levaram a que diversos pesquisadores no mundo todo desde então procurassem respostas numa sucessiva quebra de paradigmas.

Estudos revelaram que nos últimos 500 milhões de anos o planeta passou por cinco eventos de extinção em massa, quando a biodiversidade cai bruscamente em um curto intervalo de tempo. Estamos vivendo atualmente a sexta extinção em massa e a causa aparentemente somos nós. É essa história que a autora Elizabeth Kolbert tenta nos contar em seu livro A sexta extinção: uma história não natural lançado este ano.

Em treze capítulos são rastreadas algumas espécies desaparecidas ou quase desaparecidas, começando pelas evidências das grandes extinções do passado até o presente através de expedições pela amazônia, montanhas dos Andes, ilhas próximas a grandes barreiras de corais e muitas pesquisas. Um dos capítulos inclusive nos mostra como reconhecer os indícios da sexta extinção em nossos quintais e nas praças dos nossos bairros.

Para alguns pesquisadores teríamos saído do Holoceno para entrar na era do Antropoceno. Paul Crutzen, químico holandês que ganhou o Nobel por ter descoberto os efeitos das substâncias depletivas do ozônio (ODS) e quem propôs o termo, cita alguns dos motivos que o levam a afirmar que a nova era é principalmente caracterizada pelas ações humanas no planeta:

  • A atividade humana transformou algo entre um terço e metade da superfície terrestre;
  • A maior parte dos principais rios foi represada ou desviada;
  • As fábricas de fertilizantes produzem mais nitrogênio do que é gerado naturalmente por todos os ecossistemas terrestres;
  • A atividade pesqueira retira mais de um terço da produção primária das águas litorâneas dos oceanos;
  • Os seres humanos utilizam mais da metade do escoamento de água doce de fácil acesso.

Devemos levar ainda em consideração as toneladas de carbono adicionadas à atmosfera desde a Revolução Industrial que desencadeou tanto o aquecimento da temperatura global como a acidificação dos oceanos, que estão 30% mais ácidos do que em 1800. Estima-se que um terço dos anfíbios, um terço de todos os recifes de corais, um terço de todos os moluscos de água doce, um terço dos tubarões e arraias, um quarto dos mamíferos, um quinto dos répteis e um sexto das aves estão em vias de desaparecer.

Uma das peculiaridades do Antropoceno não é somente a quantidade de espécies que correm risco de extinção, mas também a velocidade. Não existe outra maneira de se injetar bilhões de toneladas de carbono na atmosfera com tanta rapidez quanto feito pelos processos que regem nossa lógica econômica.

Teorias de todos os tipos procuram explicar como nossa espécie, dentre todas as outras espécies de hominídeos, foi a que sobreviveu e chegou a se espalhar por todo o planeta. O dirigente do departamento de genética evolutiva do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva da cidade de Leipzig na Alemanha, Svante Pääbo, foi quem inventou o mapeamento de DNA antigo. Atualmente ele está envolvido em um projeto que almeja nada menos do que sequenciar a cadeia de DNA do Homem de Neandertal, extinto após a chegada do Homo sapiens na Europa.

O cerne da teoria de Darwin nega qualquer tipo de status especial para os seres humanos. Para Pääbo, porém, a comparação do nosso DNA com a do Homem de Neandertal talvez possa tornar possível identificar a origem da “loucura” que possibilitou a realização de todas as explorações humanas.  Para ele existe algo na genética humana que nos torna insanos e é essa insanidade que nos dá capacidade de representar o mundo, criar símbolos, transformá-lo e também destruí-lo. Talvez um pequeno conjunto de alterações genéticas em comparação ao Homem de Neandertal, mas que tornou possível a criação de um outro mundo, talvez às custas de nossa própria sobrevivência.

 

A automação e o trabalho

TeamworkFoi no período fordista que automação e racionalização tornaram-se palavras-chave. O impulso causado pela racionalização do trabalho e consequente barateamento dos produtos levou a um processo de crise econômica em grande escala na época pois a maioria dos participantes no mercado não estava preparada para isso.

Mas o processo de crise foi superado pelo aumento da produtividade e ampliação dos mercados que aliviaram o aumento do desemprego pois, apesar dos métodos de racionalização desenvolvidos por Frederick Taylor, como os cronômetros e a esteira*, foram percebidos os espaços ainda livres nas fábricas e as novas possibilidades de se evitar desperdícios de tempo e dinheiro.

Os ganhos de produtividade podem ser representados no salto da produção anual estimada em 6 a 10 mil automóveis para 248 mil automóveis em 1914. Um dos meios da superação da crise foi que, devido ao barateamento dos produtos, os próprios trabalhadores tornaram-se consumidores do que era produzido – o que foi revolucionário na época – abrindo caminho para o consumo de massas e para o modo de vida racionalizado, slogan da época.

Mas a racionalização atual impulsionada pela revolução da microeletrônica em processos de automação parece causar o oposto disso. A lacuna que a força de trabalho humana ainda desempenhava na época fordista está desaparecendo com os novos potenciais tecnológicos através dos quais os robôs humanos são substituídos realmente por robôs. E aparentemente estamos apenas no ínicio desse processo.

Um relatório realizado pelo Instituto Tecnológico de Massachussetts – MIT, revelou que se os potenciais de automação fossem empregados cerca de 45% dos postos de trabalho norte-americanos passariam a ser realizados por computadores. As áreas mais impactadas no começo seriam as de transporte, logística, processos administrativos, vendas e setor de construção. Posteriormente, com o crescente desenvolvimento da inteligência articificial, trabalhos nos setores de gestão, engenharia e ciências também seriam prejudicados. Os autores do relatório observam que nessa nova corrida concorrencial os trabalhadores terão que desenvolver cada vez mais “capacidades criativas”.

Com os atuais potenciais de automação acoplados à cibernética, informática e inteligência artificial, robôs já podem ser programados para retirar corretamente peças dentro de caixas para realizar algum trabalho – já realizam procedimentos cirúrgicos. Ainda em fase de testes, os carros sem motorista já indicam uma corrida tecnológica promovida inicialmente por empresas que não são sequer do ramo automobilístico. Restaurantes automatizados já são realidade em países como Alemanha e Japão.

Se esse desenvolvimento continuar assim cadeias inteiras da reprodução social se romperão. O desemprego em massa vai disparar. A relação trabalho/renda/consumo será cada vez mais posta em questão. Nessa nova onda o futuro do capitalismo, da economia de mercado e da produção industrial se transformarão abruptamente. A crítica da categoria trabalho pode nos ajudar a viabilizar uma nova perspectiva para esses potenciais. Acompanhe e ajude a desenvolver essa discussão.

 

*Curioso saber que a esteira não foi invenção de Ford nem de Taylor, mas copiada dos matadouros de Chicago onde os pedaços de carne eram distribuídos. A inovação foi aplicada à força de trabalho humana perfeitamente caricaturada por Chaplin em seu filme Tempos modernos.

 

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